A saída da Federação União Progressista (UP) do bloco governista na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) revela a carta na manga do presidente da federação, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP).
Não foi a perda de três cargos que haviam sido indicados pelo PP lá atrás que deixou o partido sem forças na queda de braço imposta pela governadora Raquel Lyra (PSD).
Depois de conversas entre Da Fonte e o pré-candidato ao governo João Campos (PSB), a gestora decidiu enfrentar o deputado e tirou do PP a presidência do Lafepe, do Porto do Recife e, ontem, do Ceasa.
Da Fonte considerou a ação precipitada e manteve o discurso de seis meses atrás, quando definiu as datas mais importantes: 4 de abril; 5 de agosto (fim das convenções) e 4 de outubro (eleição).
Após o fechamento da janela partidária no dia 3, a federação passou a ser a maior bancada da Alepe, com 11 parlamentares. A rearrumação das legendas provocará uma mudança mais radical que a prevista na composição das principais comissões.
A UP, que se coloca como independente, terá duas vagas na de Justiça e outras duas, na de Administração. Na de Finanças esse espaço já existe.
Agora, o governo, que pensava ter saído fortalecido, está cada vez mais dependente da UP, nos colegiados e em plenário, onde já salvou várias vezes projetos do Executivo.
“Ninguém manda na gente, a gente tem tamanho. Não depende de um emprego aqui e outro ali. Se eu fosse depender, não seria desses que ela [a governadora] tinha dado”, cravou Da Fonte.
O deputado reúne a bancada estadual na segunda-feira, às 15h, na sede do partido, no Pina, Zona Sul do Recife.
Por Betânia Santana, da Folha de Pernambuco



