Janeiro de 2026 foi o pior mês para o governo Raquel Lyra (PSD) até agora. O risco é de a maré desfavorável impactar as próximas pesquisas, como costuma acontecer em períodos em que os governantes são atingidos por agendas negativas.
O epicentro desse cenário foram três matérias publicadas por veículos nacionais. No conjunto, elas provocaram o fechamento da empresa de ônibus da família de Raquel, existente há mais de 60 anos; um pedido de impeachment e a substituição de dois presidentes do mesmo órgão em nove dias, alimentando um noticiário local e nacional adverso.
A sequência de crises começou com uma denúncia do portal Metrópoles (DF), no dia 14, informando que a empresa de ônibus da família de Raquel Lyra estava operando irregularmente há pelo menos três anos, sem fiscalização. Seguiu-se uma reportagem especial com cerca de 10 minutos de duração, na TV Record, no dia 21, revelando que a Polícia Civil do Estado espionou um secretário do governo João Campos (PSB). E o mês fechou com matéria do site Vero Notícias (DF), no dia 30, expondo frases racista e misógina do então presidente da EPTI, episódio que provocou a saída dele do cargo no mesmo dia. As frases constavam de e-mail escrito por ele em 2012, mas isso não impediu a reação pública nem sua saída.
A questão agora é mensurar a extensão dos danos à imagem do governo perante o eleitorado pernambucano. Para quem, como Raquel, ocupa uma posição desfavorável nas pesquisas e precisa de agilidade para reverter o quadro, enfrentar um mês inteiro de pautas negativas é o pior cenário possível.
A governadora iniciou o ano com nove meses para alterar o cenário político até a eleição de outubro.
Agora, restam apenas oito.



