Política e economia de Pernambuco e do Nordeste

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João Campos e Raquel Lyra: O primeiro confronto direto? (Fotos: Divulgação)

Pronunciamento de João Campos coloca um desafio para Raquel Lyra: Responder ou não responder?

A entrada em cena do prefeito João Campos (PSB) no caso da denúncia de “uso político da polícia civil para perseguir adversários políticos” impõe um desafio à governadora Raquel Lyra (PSD): Responde ou não responde?

Em duro pronunciamento (vídeo abaixo), divulgado em suas redes sociais na noite desta segunda-feira (26), João Campos mira no Palácio do Campo das Princesas, embora sem mencionar o nome da governadora em nenhum momento.

Numa série de perguntas (no estilo de “quem autorizou isso, quem deu a ordem, quem está pilotando isso?…”), é como se ele estivesse chamando à responsabilidade a pessoa responsável por admitir ou coibir aquelas ações. 

Em determinado momento do pronunciamento, o prefeito afirma, demonstrando indignação: “Quem está dando estas ordens? Na polícia e na política não vale tudo não!”.  

Ele refere-se ao monitoramento realizado por um grupo da Polícia Civil contra o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura, Gustavo Monteiro, caso denunciado domingo (25) em longa reportagem (cerca de 10 minutos) do programa “Domingo Espetacular”, da TV Record. 

A operação teve até nome: “Nova Missão”. Surgiu de uma denúncia anônima contra Gustavo Monteiro, que a SDS decidiu investigar. Durou de agosto a outubro de 2025 e foi realizada por uma equipe de 10 policiais, sendo três delegados e sete agentes. O grupo chegou a colocar um rastreador em automóvel oficial da Prefeitura, utilizado pelo secretário Gustavo. 

“A investigação não chegou a lugar algum”, informou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, em entrevista coletiva dada horas antes da fala do prefeito. Explicou que “não foi constatada a prática de nenhum ato ilícito” por parte do secretário da Prefeitura, e, por isso, “não houve instauração de inquérito policial”.

Para o Governo do Estado, por meio do secretário de Defesa Social, o que houve foi uma ação “técnica”, sem cunho político e dentro da normalidade. 

Para o prefeito João Campos, o que houve, em vez disso, foi um uma ação “ilegal, imoral e criminosa”. 

“Vou tomar todas as medidas cabíveis na Justiça brasileira, porque isso não vai passar impune”, garantiu o prefeito. 

Em outra parte, ao falar de práticas que, segundo ele, viriam desde 2024, João Campos insiste: “Quem é que está pilotando politicamente isso? Isso está a serviço de quem? Isso interessa a quem?”

Dada a contundência do pronunciamento, dada a constatação óbvia de que a Polícia Civil está sob o comando  da governadora, e dado o fato de que se trata do prefeito do capital e provável adversário dela na eleição, é plausível supor que Raquel Lyra e seu núcleo estratégico estejam considerando se é oportuno responder ou não. 

Responder significa aceitar o embate no cenário em chamas da denúncia (o padrão de reação do Governo do Estado tem sido o de evitar que Raquel chame para si os holofotes das denúncias).

Não responder significa aceitar o risco de deixar ecoar sem contestação a voz do oponente (o padrão de reação do Governo do Estado tem sido o de a governadora optar por esse risco, não entrando em confrontos diretos).

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Foto de Vandeck Santiago
Vandeck Santiago
Jornalista e escritor