Reportagem da TV Record, exibida na noite deste domingo (25/01), no programa “Domingo Espetacular”, denunciou que policiais civis de Pernambuco espionaram secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e o irmão dele, Eduardo Monteiro, que é assessor da Prefeitura. A ação “levantou suspeitas sobre o uso da estrutura da polícia do estado para perseguir políticos”, afirmou a matéria, acrescentando que o secretário é “considerado o braço direito de João Campos” na gestão municipal.
Em nota oficial, a Prefeitura do Recife disse que a espionagem praticada contra os dois servidores “caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral, nunca vista em nosso Estado” e que “não poupará esforços para defender seus servidores desse tipo de ataque, utilizando as esferas administrativas e judiciais cabíveis”. Afirmou ainda “repudiar qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais de Pernambuco para perseguição política”.
A espionagem ocorreu de agosto a outubro do ano passado, em uma operação batizada de “Nova Missão”. Os policiais monitoraram toda a rotina do secretário e do irmão e chegaram até a instalar um rastreador no veículo que utilizavam. O resultado da vigilância era compartilhado em um grupo de WhatsApp formado por 10 pessoas, entre delegados e agentes, com informações em tempo real. Entre os integrantes estavam o diretor de Inteligência da Polícia Civil, delegado Isaías Gonçalves, e o coordenador, delegado Wagner Domingues.
“Nós tivemos acesso ao conteúdo”, informou o repórter Romeu Piccoli, da TV Record, autor da matéria. Uma das primeiras informações postadas no grupo foi o de uma foto do secretário Gustavo Monteiro com uma série de informações pessoais dele.
“Estou indignado. É um absurdo usar a força policial para perseguir a oposição do estado”, declarou Gustavo. O advogado dele, Eduardo Marques Trindades, pretende acionar a Polícia Federal para investigar o caso.
A Secretaria de Defesa Social respondeu, por meio de nota, que a operação foi realizada porque a polícia “recebeu grave denúncia anônima, apontando a utilização de um veículo, por servidor público do município do Recife, para possível recebimento de propina”. Declarou que “toda a investigação preliminar foi realizada seguindo todos os trâmites, sem qualquer tipo de violação de privacidade e de exposição” e que “não houve instauração de inquérito policial, uma vez que não foi constatada a prática de nenhum ato ilícito”.
Depoimento de um policial entrevistado pela reportagem da TV Record, e que preferiu não se identificar por temer “perseguição”, confirma a prática da espionagem com fins políticos. “O conhecimento que eu tenho é que os policiais recebiam, realmente, demandas da política contra políticos”, disse ele.
Outra ação da Polícia Civil que teve a administração João Campos (PSB) como alvo foi uma investigação sobre creches municipais, realizada durante as eleições de 2024 (quando o prefeito se reelegeu). A matéria informa sobre despacho que determina “esclarecer quaisquer fatos criminais ou não, relacionados ao período eleitoral de extrema importância”.



