O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, neste sábado (3). “Ficaremos até que uma transição adequada aconteça”. disse Trump. Já vimos este filme antes, e ele nunca acaba bem. Existe um padrão histórico em intervenções praticadas ou apoiadas pelos EUA: elas costumam começar sob a celebração dos novos vitoriosos, mas terminam com legados de instabilidade. Reconhecer isso não significa ser “anti-EUA” ou defender governos marcados pelo autoritarismo e opressão, como o de Maduro; é uma constatação baseada em exemplos históricos.
Confiram:
AMÉRICA LATINA
Guatemala (1954), Brasil (1964), República Dominicana (1965), Chile (1973) e Argentina (1976).
Resultado: O apoio a quedas de governos resultou em ditaduras sangrentas, perseguição, tortura e décadas perdidas de desenvolvimento
OUTROS EXEMPLOS
Irã (1953): Um golpe contra um presidente eleito (que queria nacionalizar o petróleo) semeou o sentimento anti-EUA que culminou na Revolução Islâmica de 1979. A tensão dura até hoje.
Vietnã e Iraque: Intervenções militares que prometiam liberdade, mas deixaram um rastro de destruição e crises humanitárias que duraram gerações.
Líbia: Neste a intervenção foi da OTAN, com forças dos EUA e de outros países, em 2011. Três anos depois, o país foi dividido em duas partes, divisão que permanece até hoje, em meio a tensão, conflitos e sem reconstrução.
Afeganistão: Após 20 anos de ocupação e trilhões de dólares gastos, o país voltou exatamente para as mãos do Talibã em 2021. O ponto de partida e o de chegada foram o mesmo, mas o caminho foi pavimentado por guerra.
A história mostra que a estabilidade imposta de fora para dentro costuma ser frágil.
Não há nenhuma razão para supor que no caso da Venezuela será diferente.



