O hábito de correr virou o figurino da vez na política brasileira. Não importa o cargo (de presidente a prefeito), partido ou ideologia: parece que, se não postar um vídeo correndo, a gestão não engrena. A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), é o exemplo mais recente dessa tendência (vejam o vídeo abaixo).
Trabalhei em campanhas eleitorais no início dos anos 1990 e a regra de ouro para os políticos (homens), na época, era aparecer nos atos sem paletó e com as mangas da camisa dobradas: o famoso visual ‘mãos à obra’, de que está “pronto para o serviço”.
Hoje, a mensagem mudou.
Não basta mais estar pronto para o serviço; é preciso demonstrar fôlego, vigor e agilidade, tentando passar a ideia de que o político é rápido, dinâmico e imprime estas características a sua gestão. Sai o estilo “operário da gestão pública” e entra o do “gestor dinâmico”. Não se trata aqui de julgar, mas tão somente de constatar um fato histórico. Cada época tem sua forma de comunicação política, e a que temos hoje e tínhamos ontem são adaptações ao momento.
Mas o aspecto principal dessa mudança é que ela surge do ventre da comunicação das redes sociais, não do marketing político em si.
Vocês preferem um comunicado institucional rígido e estático ou uma prefeita correndo e apresentando as maravilhas de um bebedouro que tem água gelada e reserva uma função especial para os pets?… Qual dessas duas opções tem mais atrativos não só para fisgar a atenção, como para reter a atenção?…
Pronto, taí a resposta.
A nova tendência da política brasileira é uma adaptação aos algoritmos das plataformas das redes sociais.
Tanto para reter a atenção por mais tempo, o que acontece com imagens em movimento, em comparação com as estáticas, quanto para o conteúdo preencher os requisitos que o farão ser mais distribuído pelas plataformas.
O novo formato permite cortes rápidos e edição que fazem uma lipoaspiração no tom enfadonho dos informes institucionais, gerando mais visualizações, curtidas e engajamentos. Quero crer que o precursor dessa linguagem no Brasil, de forma sistemática, foi João Campos, inspirando muito do que se faz hoje pelos estados.
UMA ÚLTIMA PALAVRA
Noves fora a comunicação, parece muito interessante essa ideia do Hidrataju, da bela capital sergipana. São “totens de hidratação modernos”, diz a linguagem oficial. Eles possuem água filtrada natural e gelada para humanos e pets e vêm ainda com uma grande novidade: a função “Brisa Refrescante” – você aperta um botão e recebe uma lufada da bendita brisa.
O aparelho vai beneficiar não apenas quem corre na praia, mas igualmente os ambulantes, comerciantes, agentes de limpeza, guardas, trabalhadores, transeuntes em geral e quem quer que esteja passando próximo e queira hidratar-se.
Segundo a Prefeitura, numa primeira etapa serão instalados seis Hidratajus, em pontos turísticos da capital. Rogo que a iniciativa prospere e se consolide.



